Retinamérica *

Vídeo intervenção interativa em painel de led sobre a fachada do prédio da Fiesp na Avenida Paulista e as cidades de Piracicaba, Rio Claro, Itapetininga, Taubaté, e Campinas.

O público é convidado a interagir com a obra como um VJ, por meio de um tablet, selecionando e compondo a partir de imagens iconográficas dos países da América latina, embalados por trechos de músicas populares e folclóricas.

O trabalho, consiste na programação de um software interativo criado por Gabriel Díaz-Regañón (idealização e programação) e Luciana Ramin (idealização e paisagem sonora) e faz parte da programação da Mostra SP Urban – ‘Afterimage’ que será exibido durante o mês de novembro de 2014.

SP URBAN:
São Paulo está no mapa mundial das cidades que integram media facade ao seu tecido urbano.

A cada nova tecnologia que surge a arte digital se reinventa. Para captar esse ritmo, a 3ª edição do SP_Urban Digital Festival, que será realizada em novembro, abordará o tema Digital Afterimage, ou, em língua portuguesa, o pós imagem.
Sabe aquele efeito da imagem recém-vista que fica na retina quando fechamos os olhos? Pois é justamente esse instante de ilusão de ótica que a expressão afterimage, ou pós imagem, representa.

A curadoria do SP_Urban, assinada por Marília Pasculli (Verve Cultural – São Paulo) e Tanya Toft (Verve Cultural – Copenhagen/ Nova York), com consultoria de Mike Sttubs (FACT – Foundation for Art and Creative Technology – Liverpool) partiu dessa metáfora para tentar saber o que vai ecoar no futuro da produção de arte digital atual.

“O que vai ficar? Qual vai ser o afterimage da produção artística digital de hoje”? Estas questões foram o briefing passado aos oito artistas da nova mostra, nomes fundamentais da arte digital mundial, que irão preencher a fachada do edifício da Fiesp e do Sesi-SP e a Alameda das Flores – travessa de pedestres que fica em frente ao prédio, ligando a av. Paulista à rua São Carlos do Pinhal – com suas obras tecnológicas e interativas.

O SP_Urban 3ª edição vai especular o futuro, um exercício lúdico sobre a efemeridade das tecnologias de ponta, como a câmera com sensor de movimento Kinect, que há cinco anos nem existia e hoje já é considerada ultrapassada.
Daqui a alguns anos, a prática da arte digital de hoje irá ressoar para uma nova geração de artistas, como afterimages do agora. E vem mais uma pergunta: o que influenciará mais, a criatividade ou a tecnologia? Os artistas abaixo tentarão responder.

Fragmento do texto curatorial sobre RetinAmérica por Tanya Toft:

RetinAmérica (2014) do coletivo Andar7 busca desestabilizar os ícones de controle encontrados nos símbolos institucionais. A instalação transforma a galeria do edifício da FIESP em um totem de cores e de formas, compostas pelas desconstruções de iconografias simbólicas existentes, que são encontradas nos ícones institucionais dos países latino-americanos. Eles lembram as composições gráficas das “bandeirinhas”, as abstrações geométricas de pequenas bandeiras idealizadas pelo pintor brasileiro modernista Alfredo Volpi (1896-1988) nos anos 60, e que se originaram do folclore brasileiro e foram estruturadas pelas formas poéticas das paisagens urbanas brasileiras. Os símbolos institucionais, as bandeiras e as iconografias são importantes para a manutenção de uma nação como símbolos de identidade nacional. Eles fazem contraste com a situação de anomia, na qual a sociedade reinterpreta a identidade, a fim de criar uma comunidade unida e heterogênea. A obra evoca a teoria da cor apresentada por Josef Albers em (1988-1976)[i], que sugere que as cores sempre são vistas em relação às cores que estão no ambiente. “RétinAmérica” indica como a natureza dinâmica e a mudança de cor em relação ao contexto, como proposto por Albers, podem se aplicar na forma como a demografia multicultural de São Paulo é considerada em relação à “composição de cores” do contexto. O preto não seria preto sem o branco e os vários tons entre eles. Os padrões desconstruídos e as composições de cor indicam uma crítica à afirmação da identificação com a ideia modernista de “nação” que, para ser sustentada, requer condições estruturais, tais como ordem social e comportamento padronizado do cidadão. A obra explora os efeitos visuais de persistência na retina, conseguidos pelas cores complementares compostas por cálculos matemáticos e geométricos e pelo uso dos softwares ”Quartz Composer” e ”Processing”. Os ícones gráficos re-compostos em ”RétinAmérica” tentam não territorializar a transformação afetiva e social.  Eles aparecem como  “afterimages” coletivas de uma sociedade multicultural e fazem com que o edifício da galeria se engaje em um relacionamento poético, tropical e colorido com os arredores urbanos.

Como uma metáfora da verdadeira percepção, nós olhamos através da ”afterimage” ótica para experiências de breves lapsos de consciência em nosso registro picnoléptico – momentos de “ver com clareza”. Jonathan Crary nos lembra como, no início do século XIX, particularmente em relação aos textos de Goethe, a ”Afterimage” deixou de ser considerada uma decepção perceptiva que obscureceria a verdadeira percepção, como se pensava anteriormente, mas passou a ser um componente irredutível da visão humana. O que poderia ser experimentado pela visão tinha que ser a verdadeira ótica[ii]. Os momentos do ”ver com clareza” são momentos de consciência, onde podemos perceber como nosso instrumento de percepção é estimulado pela velocidade na cidade em ”Coisa Lida” ou pelas imagens de controle e, ainda como podemos atribuir a eles significado e poder na obra ”RétinAmérica”. As experiências perceptivas que o público descobre com essas instalações lembram as experiências de Marcel Duchamp com a ilusão tridimensional (3D) no seu filme dadaísta e surrealista ”Anémic Cinéma” (1926). Esse filme foi feito de círculos giratórios de papelão lisos com padrões e frases. Duchamp teve como objetivo a construção de uma experiência em que a linguagem, o pensamento e a visão influenciariam um ao outro. Ele visava “colocar a arte de volta a serviço da mente” e fazer o público refletir criticamente sobre o que via.

Tanya Toft (Dinamarca) é curadora, escritora e pesquisadora com base na cidade de Nova York em práticas contemporâneas com a arte digital urbana. É Ph.D. Fellow do Instituto de Artes e Estudos Culturais na Universidade de Copenhagen e em 2013/2014 Visiting Scholar na Universidade de Columbia, GSAPP, New York.

Ficha Técnica:

Criação: Andar7 (Gabriel Diaz-Regañón e Luciana Ramin)

Programação: Gabriel Diaz Regañon

Paisagem sonora: Luciana Ramin

Cenografia (púlpito): Ana Caramelo

Curadoria e produção: Verve Cultural

Exibições:

Piracicaba 1º/11, sábado – 16h 2/11, domingo – 13h
Rio Claro 8/11, sábado – 16h 9/11, domingo – 13h
Itapetininga 14/11, sexta – 16h 15/11, sábado – 13h
Taubaté 21/11, sexta – 16h 22/11, sábado – 13h
Campinas 28/11, sexta – 16h 29/11, sábado – 13h
São Paulo 07/11/2014 a 07/12/2014 Todas as noites

Fiesp – Avenida Paulista:

http://www.fiesp.com.br/galeria-de-arte-digital/sp-urban-digital-festival/
http://spurban.com.br/obras/
Piracicaba:
http://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2014/11/sesi-piracicaba-oferece-cinema-ao-ar-livre-em-duas-sessoes-gratuitas.html
http://www.jornaldepiracicaba.com.br/capa/default.asp?p=viewnot&cat=viewnot&idnot=222755
http://www.ilustresp.com.br/944/